Friday, September 25, 2015

A raposa e o sussuro da lua

No canto escuro do quarto havia uma raposa. Ainda não é certo se o que eu sentia era medo do bicho selvagem ou do selvagem em mim. Cheguei a tocá-la do quarto ao que me parece. Porque estava escuro e paira uma névoa sobre as coisas que cuidam da verdade.

Na segunda noite, no canto escuro do quarto lá estava a raposa. Assim parece eu peço para um homem, talvez meu marido talvez meu pai ou sogro, tirá-la de lá. Então eu mesma a coloco para fora entre as paredes da casa e o portão.

Sentia-se que estava cinza. Um pouco escuro e eu mesma não sabia porque queria que ela partisse. E por vias também incertas saio eu mesma e a levo até o portão. Pois que o que se segue é a única verdade que eu tenho como certa.

Choramos. Eu e a raposa. Um choro de uma despedida de uma vida. Ela me abraça feito gente com suas patas dianteiras e eu fico com o coração apertado. A metade de mim que assiste de longe fica assim com o coração entre rochas. Era como se eu estivesse tocando um filho para fora de casa.

Mais tarde vim saber que eu me despedia do meu avô. Finalmente, em sonho.

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